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O novo domínio operacional: Quando a IA ganha corpo, sentidos e agência

Nos últimos anos, o impacto da inteligência artificial (IA) nas empresas ficou restrito aos ambientes digitais e tarefas cognitivas estruturadas: análise de dados, geração de código, assistentes de texto e suporte ao cliente.

Nos últimos anos, o impacto da inteligência artificial (IA) nas empresas ficou restrito aos ambientes digitais e tarefas cognitivas estruturadas: análise de dados, geração de código, assistentes de texto e suporte ao cliente. No entanto, o que presenciamos na edição 2026 do World Artificial Intelligence Conference (WAIC) em Shanghai, na China, aponta para uma expansão desse escopo: a IA vem conquistando novos domínios operacionais no mundo físico e processos críticos em tempo real.

O WAIC é um dos maiores eventos de IA do mundo e este ano reuniu mais de 400 mil visitantes e cerca de 1100 exibidores, os quais trouxeram diversos avanços nas áreas de robótica, infraestrutura e eficiência, por exemplo. Uma das áreas de exibição, inclusive, foi dedicada à demonstração de robôs, incluindo opções humanóides e industriais executando diferentes atividades, desde dança, execução de instrumentos musicais e ping-pong, até simulação de atendimento no comércio e separação de materiais. Essa tendência tecnológica da robótica multifuncional e do conceito de physical AI vem sendo sinalizada pelo Gartner desde 2024. No WAIC, foi possível observar essa tendência se tornando realidade.

Essa transição marca a passagem dos assistentes virtuais passivos (que respondem a algum sinal) para agentes autônomos com capacidade de percepção, decisão e execução (que respondem ao ambiente). Novos termos surgem para acompanhar esse movimento, como embodied AI e world models, combinando na prática uma multimodalidade que integra visão computacional, áudio em tempo real e sensores para ação no mundo real. Com isso, a tecnologia avança progressivamente em sua agência: ela deixa de apenas observar para executar tarefas, coordenar fluxos complexos e aprender continuamente a partir do contexto físico em que está inserida.

Quando a IA passa a habitar o mesmo ambiente que os humanos, seja na orquestração logística de uma indústria ou no atendimento ao público, a natureza do desafio operacional se transforma. O foco se afasta do debate conceitual sobre automação para se concentrar na segurança operacional, na governança em tempo real e na criação de modelos de trabalho híbridos. A excelência humana ganha uma nova posição, atuando na supervisão estratégica e no estabelecimento das fronteiras de atuação desses agentes autônomos.

Mesmo que a presença massiva de robôs leve um tempo para se tornar realidade em empresas e organizações brasileiras, esse movimento já gera aprendizados. Seja no mundo físico ou digital, a presença de agentes que percebem, decidem e executam com autonomia requer uma reestruturação de modelos operacionais. Um time de tecnologia composto apenas por humanos tem uma dinâmica diferente de um time híbrido, no qual humanos e agentes de IA dividem responsabilidades. 

Se no ciclo anterior a pergunta central era em quais processos digitais a IA poderia trazer ganhos de produtividade, a provocação para os próximos anos exige entender como estruturar as operações corporativas para que inteligência baseada em silício e equipes humanas coexistem com previsibilidade e eficiência. As empresas que irão liderar este novo ciclo serão aquelas capazes de integrar a IA não apenas como uma ferramenta da área de TI, mas como um elemento indispensável da própria arquitetura operacional do negócio.

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Nicole Davila

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