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Da experimentação à produção: framework para sistemas agênticos

O medo das empresas de ficarem de fora de novas ondas tecnológicas não é algo recente. Sempre que ocorre uma disrupção, seja no modelo de trabalho ou no surgimento de novas tecnologias e ferramentas, há um movimento generalizado de experimentação, busca por eficiência e redução de custos. Antes de adotar um framework para sistemas agênticos, porém, é preciso entender por que essa vontade de aprimoramento é essencial para empresas que não desejam estagnar em um cenário altamente dinâmico.

Com a recente popularização da IA generativa, aliada ao receio de não utilizá-la como vantagem competitiva, observa-se frequentemente uma desestruturação no uso interno dessas ferramentas. 

Esse uso desestruturado se manifesta, principalmente, na dificuldade de mensurar o impacto da tecnologia em indicadores de eficiência, na melhoria de processos e na redução de custos.

É comum, especialmente em grandes empresas, que diversos colaboradores conduzam provas de conceito em diferentes áreas, levantando potenciais oportunidades de melhoria.

O principal problema é que muitas dessas provas de conceito não evoluem para o ambiente produtivo. Um dos fatores que contribuem para isso é a falta de confiança em colocar essas aplicações ou agentes em produção.

Por que testar sistemas agênticos é diferente

Testar sistemas agênticos difere significativamente do teste de softwares tradicionais, devido à sua natureza não determinística.

Ao construir sistemas agênticos, diversas decisões precisam ser tomadas, como a escolha do modelo, a definição do system prompt, o gerenciamento de contexto, as camadas de memória utilizadas e as ferramentas às quais o sistema terá acesso. 

Alterações em qualquer um desses elementos podem tanto melhorar o desempenho quanto degradar ou comprometer fluxos não mapeados. 

Dessa forma, torna-se desafiador mensurar o impacto de mudanças, mesmo que aparentemente simples, como ajustes no system prompt ou a adição de uma nova ferramenta. 

Framework do Zup Labs para sistemas agênticos: da concepção ao monitoramento

Diante desse cenário, foi desenvolvido, no Zup Labs, um framework estruturado que abrange desde a concepção até o monitoramento contínuo de sistemas agênticos.

Esse framework permite responder, com base em dados, a perguntas como: “Qual é o impacto de uma alteração específica no sistema?”, possibilitando decisões fundamentadas em experimentação, e não apenas em “feeling”.

O framework é composto por cinco etapas: 

Etapa 1: Validação da ideia

Nesta etapa, busca-se compreender o domínio e os objetivos a serem alcançados, avaliando a viabilidade da proposta. Há liberdade para experimentação rápida e exploração inicial da ideia.

Etapa 2: Definição de métricas

São estabelecidas métricas e indicadores que servirão como base para avaliar a evolução do sistema ao longo dos experimentos. Essa etapa é fundamental para substituir decisões baseadas em intuição por decisões orientadas a dados. 

Etapa 3: Criação do baseline

Os experimentos iniciais são avaliados com base nas métricas definidas, estabelecendo um baseline que servirá como referência para comparações futuras. 

Etapa 4: Experimentação e otimização

Nesta fase, os experimentos são conduzidos, mensurados e refinados continuamente. Novas abordagens são testadas e avaliadas com base nos indicadores definidos, permitindo compreender o impacto de cada alteração no sistema. 

Etapa 5: Consolidação e decisão

Os aprendizados são consolidados, identificando o que funcionou, o que não funcionou e os trade-offs de cada abordagem. A partir disso, torna-se possível tomar decisões mais seguras e levar as provas de conceito para o ambiente produtivo com maior confiança. 

Framework para sistemas agênticos: estrutura e método como diferencial

Mais do que acompanhar tendências tecnológicas, a adoção de IA generativa nas empresas exige estrutura, método e capacidade de mensuração. 

Sem esses elementos, iniciativas promissoras tendem a permanecer no campo experimental, sem gerar impacto real no negócio.

Ao adotar uma abordagem estruturada, orientada por métricas e ciclos contínuos de experimentação, é possível reduzir incertezas, aumentar a confiança nas decisões e acelerar a transição de provas de conceito para produção. 

Dessa forma, a IA generativa deixa de ser apenas uma aposta e passa a atuar como um vetor consistente de eficiência, inovação e vantagem competitiva.

*Pedro Paula Naves é AI Software Engineer na Zup Innovation. Formado em Sistemas de Informação pela UFU (Universidade Federal de Uberlândia) e com 14 anos de experiência na área de tecnologia, une sua sólida bagagem em engenharia de software com a exploração prática de Inteligência Artificial no Zup Labs.

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Pedro Paula Naves

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